Aplicativo contra suicídio desenvolvido no IFSC participa de final nos EUA

O aplicativo de prevenção ao suicídio denominado “Safe Tears” (Lágrimas Seguras), desenvolvido por alunas do Instituto Federal (IFSC) de Xanxerê, será apresentado na noite desta quinta-feira no Technovation Challenge, competição de inovação que acontece na sede da Oracle, que fica na região do Vale do Silício, na Califórnia (EUA).

O projeto ficou entre os 12 selecionados, sendo seis na categoria júnior e seis na sênior, que é onde as estudantes catarinenses estão competindo com representantes de outros cinco países.

As alunas Ana Júlia Giacomeli, Anna Carolina Ferronato da Silva, Clara Noemi Pithon da Silva, Emanuela Maraskin e Jhuly Kefny da Silva Carvalho desenvolveram a proposta no curso de ensino médio em Informática, do IFSC de Xanxerê, sob a supervisão do professor Alex Weber.

– Tudo começou quando passei um documentário, um filme chamado Cold Girl para as alunas. A partir disso elas fizeram um “brainstorm” e desenvolveram várias atividades entre elas o “safe tears”, que é um aplicativo de prevenção ao suicídio, que tem como funcionalidade principal acompanhar o estado emocional da pessoa através de um copo (cada comentário depressivo é uma lágrima que vai enchendo um copo virtual). Tem um chat anônimo para a pessoa conseguir desabafar, conseguir conversar com outra para se motivar e a terceira funcionalidade é informativa, que permite encontrar informações confiáveis sobre o tema, que também é uma das formas de prevenção- disse o professor, que acompanha as estudantes em solo norte-americano.

A partir de um nível crítico de lágrimas no copo o aplicativo dispara mensagens de apoio, alertas e até sugestões de apoio profissional.

As alunas pesquisaram sobre o tema e descobriram que ocorreram 11.621 suicídios nos últimos 20 anos em Santa Catarina, de acordo com o Sistema de Informações sobre a Mortalidade, do Ministério da Saúde. De acordo com o Centro de Valorização da Vida, 90% dos suicídios podem ser prevenidos. Por isso pensaram em criar o aplicativo.

– Independente de todos os obstáculos que enfrentamos até aqui, chegar na final é uma grande vitória, porque vamos conseguir divulgar o aplicativo e incentivar outras meninas a participar – disse Emanuela Maraskin.

O grupo chegou em São Francisco na segunda-feira, visitou “start-ups” e a sede do aplicativo de transportes Uber, além de museus de ciência e tecnologia. Lá as estudantes puderam interagir com profissionais de tecnologia da inforação.

Também fizeram uma simulação da apresentação e tiveram um bom feedback, de acordo com o professor.

– As meninas estão bem preparadas e bem confiantes. Acho que vai dar tudo certo. Elas estão bem esperançosas – disse o professor.

Como o evento é à noite e há uma diferença de quatro horas em relação ao fuso horário brasileiro o professor acredita que o resultado só será conhecido após a meia-noite no Brasil. A equipe de Xanxerê concorre com o nome de Powerful Daisies (Margaridas Poderosas).

Veja os projetos que estão concorrendo:

1) Powerful Daisies, do Brasil, com o aplicativo “Safe Tears”, que tem como funcionalidade um copo com lágrimas que ajuda os jovens a monitorar seu estado emocional. Para esse monitoramento basta acrescentar ou retirar ‘lágrimas’ do copo. O nível de lágrimas vai subindo (ou descendo) de acordo com o que o jovem está sentido. E diferentes níveis geram mensagens de apoio, alertas, dicas de encaminhamentos e até sugestões de busca por auxílio profissional.

2) CoCo, do Kasaquistão, propôs um jogo 3D para celular chamado “Teco” que interage e desafia o usuário a fim de melhorar a consciência ambiental.

3) D3c0ders, da Albânia, tem o foco de auxiliar mulheres abusadas com o aplicativo Gjejzâ. Oferece testes para diagnosticar a situação doméstica, divide informações gerais, e oferece apoio psicológico e médico.

4) LPSN, da Espanha, quer auxiliar a salvar a vida de mulheres com o aplicativo “When&Where”. Ele é capaz de identificar a localização e as rotas por onde a mulher passa e, caso ela modifique o trajeto ou pare, o aplicativo interage com a usuária.

5) Team Uproot, dos Estados Unidos, propôs o aplicativo para o sistema iOS “Uproot”. A ideia é identificar e conter informações gerais sobre espécies de plantas, especialmente as nocivas e invasivas.

6) Tech Witches, da Índia, propuseram o aplicativo “Maitri”, que permite interação entre crianças abrigadas em orfanatos e idosos que vivem em lares especiais.

Fonte: NSC TOTAL

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